Mulher trans conquista 1º emprego com carteira assinada aos 35 anos e vídeo viraliza nas redes

  • 29/01/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher trans conquista 1º emprego com carteira assinada aos 35 anos O que para muitos pode ser considerado um momento comum ganhou destaque nas redes sociais. A transsexual Aylla Ribeiro Santos, conhecida como Aylla Ferraz, compartilhou um vídeo em que comemora ter conseguido o primeiro emprego com carteira assinada, aos 35 anos. A publicação alcançou milhares de visualizações na internet. A dificuldade de acesso ao mercado de trabalho é traduzida em números: um estudo exclusivo divulgado em 2024 na série “De Toda Cor”, exibida no Jornal das Dez da Globo News, apontou que apenas 0,38% dos postos de trabalho no país são ocupados por essa parcela da população. O Dia Nacional da Visibilidade Trans é celebrado nesta quinta-feira (29) e o tema ainda exige debate. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp “Eu estou nessa luta há anos. Eu saía 3 da manhã para participar de mutirão de empregabilidade trans, era a primeira da fila e mesmo assim não conseguia emprego. Isso acontecia porque eu não era ‘passável’. Normalmente, tem que ser muito feminina para conseguir uma vaga, porque senão fica muito agressiva para empresa, o que é um absurdo”, comentou Aylla. 🔎 No debate sobre identidade de gênero, o termo “passável” é usado para descrever a expectativa social de que pessoas trans sejam percebidas como cisgênero, sem que a identidade trans seja identificada. Trata-se de uma noção associada a padrões de aparência impostos pela sociedade, especialmente em contextos como o mercado de trabalho. Aylla conseguiu o primeiro emprego de carteira assinada aos 35 anos Aylla Ferraz/Arquivo pessoal Há dois meses, Aylla é operadora de caixa em um atacadista em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Antes disso, ela chegou a trabalhar de faxineira, empregada doméstica e cozinheira, mas nunca de carteira assinada. Nascida em Turilândia, no Maranhão, Aylla se mudou para Belém, no Pará, aos 10 anos de idade. Em fevereiro de 2017, quando tinha 27 anos, mudou-se para Mogi das Cruzes para trabalhar como cozinheira na casa de uma amiga, que também era de Belém. Em agosto daquele mesmo ano, conheceu Hélio Lins, com quem se casou e, então, saiu do emprego. Aylla é casada com Hélio Lins desde 2017 Aylla Ferraz/Arquivo pessoal "De lá para cá, nesses nove anos, estive na luta para conseguir esse trabalho. Sempre trabalhei aqui, fazia marmitas, vendia cosméticos, mas nunca consegui uma coisa séria assim, que eu conseguisse trabalhar com o público e ser exposta, porque meu trabalho sempre foi nos banheiros dos outros. Então, estou feliz demais!", comemorou. O trabalho conquistado recentemente por Aylla não significa apenas o salário ao final do mês, mas também uma oportunidade de crescimento. Ela estudou apenas até o 4º ano do ensino fundamental, mas já almeja crescer na área que está atuando, além de investir nos estudos. "Quando consegui a vaga de operadora de caixa fiquei até assustada, porque sempre fui faxineira e imaginei que seria algo assim, pelo pouco estudo que tenho. Mas falaram para que não me preocupar porque seria treinada e em 15 dias eu já estava trabalhando sozinha no caixa", contou. A educação é um dos setores da vida de uma pessoa trans que sente diretamente os reflexos do preconceito. Ainda morando em Belém, Aylla desistiu de ir para a escola. "Eu sempre fui afeminada e o preconceito com isso é muito grande. Chega um certo momento que a gente acaba desistindo, porque cansa de ser a chacota da escola. E quando eu era mais nova, o preconceito era ainda maior, era muito mais crítico", lamentou. Agora, o apoio acontece no ambiente de trabalho, onde a operadora de caixa diz se sentir acolhida e respeitada pelos colegas de setor e também pelo chefe e pelo departamento de RH. Na internet, o vídeo dela também conquistou muitos comentários positivos, sendo curtido até mesmo pela cantora Pabllo Vittar. Preconceito no Brasil Apesar do cenário encontrado atualmente por Aylla, o Brasil é, pelo 17º ano consecutivo, o país mais perigoso para a população trans em todo o mundo. Um dossiê divulgado na segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) revela que pelo menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2025. O número apresenta uma queda de 34,4% em relação às 122 mortes contabilizadas em 2024. 👉 De acordo com o dossiê, a vítima mais nova tinha 13 anos. 👉 O perfil das vítimas é majoritariamente de "jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas e assassinadas em espaços públicos, com requintes de crueldade". 👉 Ceará e Minas Gerais registraram o maior número de mortes: 8 em cada estado. 👉 No estado de São Paulo foram 4 casos. Assista a mais notícias do Alto Tietê

FONTE: https://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2026/01/29/mulher-trans-conquista-1o-emprego-com-carteira-assinada-aos-35-anos-e-video-viraliza-nas-redes.ghtml


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