Influencer que sofreu lesão na coluna após mergulho em Maresias recebe polilaminina e volta a mexer braço direito

  • 27/01/2026
(Foto: Reprodução)
Nutricionista com lesão medular consegue mexer o braço após aplicação de polilaminina A família da nutricionista e influenciadora Flávia Bueno, de 35 anos, obteve na Justiça na última quinta-feira (22) uma liminar que deu à jovem o direito de fazer uso experimental da polilaminina, medicamento que ainda está em fase de teste em humanos no Brasil. Segundo relatos da família, ela já conseguiu mexer o braço direito, mesmo ainda em situação delicada de saúde. Isso não acontecia antes da aplicação da substância (veja vídeo acima). A aplicação da proteína foi feita na última sexta-feira (23) ainda no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde ela permanece internada. A substância vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que ajuda os neurônios a se conectarem (leia mais abaixo). A polilaminina é extraída de proteínas de placentas e faz parte de uma pesquisa desenvolvida pela pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. A substância está em fase de testes em humanos. Com mais de 155 mil seguidores nas redes sociais, Flávia sofreu um acidente em 3 de janeiro durante um mergulho na praia de Maresias, no litoral Norte de São Paulo. A nutricionista e influenciadora Flávia Bueno Reprodução/Instagram Ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde 4 de janeiro, para tratar uma grave lesão que prejudicou sua medula espinhal em três diferentes vértebras (C3, C4 e C5). Por se tratar de um tratamento ainda em fase experimental, a família precisou apresentar a liminar judicial para que ela tivesse o direito de receber a proteína. A polilaminina ainda não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser comercializada no Brasil ou usada em humanos. Portanto, os hospitais ainda não a incluíram na lista de drogas usadas para esse tipo de lesão medular em solo nacional. A aplicação foi feita por médicos e pesquisadores ligados ao laboratório brasileiro Cristália, responsável pelo desenvolvimento industrial do medicamento, segundo o irmão da nutricionista, Felipe Checchin. A expectativa é que, aplicada no ponto da lesão, a polilaminina estimule os nervos a criarem novas rotas e restabelecerem parte dos movimentos (entenda mais no vídeo abaixo). "Por se tratar de uma droga ainda em fase experimental, não é todo hospital que aceita a aplicação para esse tipo de caso porque ele pode ter efeitos adversos, que justamente estão sendo testados ainda. O laboratório precisava dessa liminar para garantir a aplicação. Nossa esperança é que o sucesso desse medicamento ajude ela a retomar os movimentos logo", afirmou o irmão. Pacientes com lesões na medula recuperam movimentos com tratamento brasileiro em fase experimental Por meio de nota, o laboratório afirmou que a família Bueno conseguiu a aplicação através do programa de uso compassivo da Anvisa, permitido pela resolução (RDC 38/2013) que dá acesso a esse tipo de medicamentos em fase teste, por meio de judicialização. "A paciente não foi incluída em nenhuma das fases de Estudo, o acesso à medicação foi dado através do programa de uso compassivo da RDC 38/2013 após judicialização do pedido pela família. Os pacientes que forem devidamente incluídos no Estudo Clínico de fase 1 ainda não foram escolhidos. Serão acompanhados por 6 meses após a aplicação", disse o Cristália. Acidente em Maresias Flávia Bueno se acidentou quando foi fazer um mergulho acompanhada de uma colega no litoral Norte de São Paulo, na virada do ano. Ela bateu a cabeça contra um banco de areia e desmaiou. A nutricionista foi socorrida na unidade de saúde de São Sebastião e foi entubada no Hospital de Clínicas do município, até ser transferida para a capital com duas lesões cerebrais isquêmicas, ou "micro-AVCs", causados pelo bloqueio arterial causado pelo trauma do mergulho. Sem plano de saúde, a família a levou ao Hospital Albert Einstein. Desde então, Flávia já passou por duas cirurgias deferentes e, segundo o irmão, está fora de risco, mas a conta do hospital superou a marca de R$ 1 milhão. A nutricionista Flávia Bueno, de 35 anos, que sofreu uma lesão séria na coluna durante o feriado prolongado de Réveillon em Maresias, litoral Sul de São Paulo. Reprodução/Redes Sociais “No dia do acidente, procuramos vários especialistas em coluna em SP, e o único médico que nos respondeu foi o que trabalhava no Einstein. Ela precisava fazer a cirurgia de descompressão em até 48 horas para [Flávia] não ter problemas de respiração e oxigenação cerebral”, contou o irmão. E emendou: "E a gente sabe que nesse tipo de lesão, fazer as cirurgias corretas, no momento certo, é essencial para a recuperação e sobrevivência. Nós não tivemos outra opção a não ser levá-la para lá. Ela passou logo no dia seguinte pela cirurgia de descompressão da coluna que ajudou na estabilização do quadro e a manteve viva. Depois de alguns dias fez uma nova intervenção". Felipe diz que muitos profissionais de saúde que conheciam a influencer estão colaborando com a arrecadação dos recursos. Além da vaquinha online, amigos e familiares estão organizando eventos em Barueri, na Grande SP, onde vivem, para pagar a conta do hospital. Os planos da família é que a nutricionista fique no Einstein pelos próximos 30 ou 40 dias e depois, estável, seja transferida para um hospital público. O irmão é o fiador da conta no hospital e afirma que a ajuda dos amigos de Flávia e fãs está sendo fundamental. "A gente foi para o Einstein em uma situação absolutamente desesperada, para salvar a minha irmã. Foram decisões que tiveram que ser tomadas de uma hora para outra, porque são lesões medulares sérias que poderiam causar até a falta de oxigenação no cérebro dela, que poderia levá-la à morte ou à invalidez. Então, com apoio da minha mãe e da minha esposa, eu assinei os papéis, na intenção de salvá-la", afirmou. "A ajuda que a gente recebeu ainda não foi o suficiente, mas a solidariedade já ajudou a gente a conseguir a aplicação da polilaminina. E para a gente é uma vitória muito grande. Os profissionais do Einstein entendem tudo o que está se passando e estou confiante que, com a ajuda dessa rede e do hospital, a gente vai conseguir salvar a Flávia", comentou Felipe. Ela já tinha conseguido na semana passada uma transferência para o Hospital das Clínicas de São Paulo, mas por conta da aplicação da polilaminina, a família optou por mantê-la no Einstein para garantir a aplicação do tratamento experimental. "A saída do Einstein agora vai depender de evolução do quadro e da recuperação da Flávia, mas a gente está muito confiante e feliz com a evolução gradual dela. Glória a Deus e seguimos em frente com essa baita vitória", disse Felipe ao g1. A família está recebendo as doações por meio da chave pix: f.cbueno@icloud.com, no nome de Felipe Checchin da Silva Bueno. Família de Flávia Bueno recebe doações por meio da chave pix do irmão da nutricionista. Reprodução/Instagram

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/01/27/influencer-que-sofreu-lesao-na-coluna-apos-mergulho-em-maresias-recebe-polilaminina-e-volta-a-mexer-braco-direito.ghtml


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